24 Jun Dois dos maiores especialistas em fogo estiveram durante quatro dias em Oliveira do Hospital a convite da Associação Florestal da Beira Serra

A poucos dias do início do “período crítico” de incêndios, a CAULE – Associação Florestal da Beira Serra acaba de promover uma acção de formação sobre “técnicas de primeira intervenção em incêndios florestais” que teve como principais destinatários as equipas de sapadores florestais, mas também os técnicos da associação que trabalham nesta área. A formação, ministrada por dois dos maiores especialistas nacionais em fogo (engºs Pedro Palheiro e Carlos Loureiro que integram as equipas do Grupo de Análise e Uso do FOGO ) – teve como objectivo chamar a atenção dos cerca de 40 sapadores e respectivos engenheiros florestais da CAULE para a importância de estarem “coordenados” com o restante dispositivo de defesa da floresta contra incêndios, servindo igualmente para “lembrar alguns conceitos” nomeadamente, as questões de segurança no teatro de operações, que estão cada vez mais na ordem do dia. “Para muitos é a primeira vez que recebem este tipo de formação e para outros é uma oportunidade de relembrar determinados conceitos e corrigir erros que vão cometendo”, constata o engenheiro florestal da CAULE, Ângelo Cardoso, realçando a importância desta formação, não apenas porque esta é uma organização que conta com várias equipas de sapadores florestais (ao todo oito), mas também porque “é fundamental que eles interiorizem determinadas regras quando estão perante um incêndio” explica, julgando que os seus homens “têm de estar cientes das regras de segurança a ter em conta numa primeira intervenção”. “São eles os primeiros a chegar aos incêndios e é na primeira intervenção que existe também maior risco em termos de segurança”, garante o engenheiro da CAULE que, enquanto responsável, juntamente com outros técnicos da associação, pelas equipas de sapadores e pelas “decisões” em termos operacionais, teve também oportunidade de recordar como “aperfeiçoar algumas técnicas”, e saber como “devemos pautar a nossa actuação de forma à primeira intervenção ser o mais eficaz possível”. Já o presidente da CAULE, José Vasco Campos, realçou o investimento nesta formação ao mais alto nível por parte da associação, entendendo que os fogos florestais são essencialmente um problema dos proprietários e das entidades gestoras da propriedade, como é o caso da CAULE que, actualmente, é responsável pela gestão de 12 Zonas de Intervenção Florestal na região. “ O problema do fogo é um problema nosso, pois somos os principais prejudicados, e como tal temos de estar minimamente preparados para o combater, é certo que a nossa maior preparação é a prevenção, mas se houver fogo queremos ter as nossas equipas bem preparadas”, afirmou o dirigente, não deixando de lamentar que o Estado, através do ICNF, tenha deixado de fazer este tipo de acções de formação, “tendo se ser a associação a expensas próprias a fazê-las”. Durante quatro dias, sapadores florestais e técnicos da CAULE receberam formação específica sobre combate a incêndios por parte de dois conceituados especialistas a nível nacional, que se focaram nas “estratégias” de primeira intervenção , reavivando ainda conhecimentos em termos de comportamento de fogo e operações de rescaldo. Com o objectivo de melhorar o desempenho das suas equipas na época de incêndios que se avizinha, a CAULE aproveitou ainda para distribuir equipamento de protecção individual aos cerca de 40 sapadores que compõem o seu dispositivo.